Juliana Veigaredação criativa + branding + estratégia
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Quase nada do que li ontem na minha timeline poderia ter sido escrito por mim. Minha convivência com meu pai nunca foi um mar de rosas. Ele nunca se encaixou nos clichês do herói, do melhor amigo, confidente etc etc etc. Essa figura, na minha vida, foi do meu avô. Assim, meu pai sempre foi como um irmão mais velho. E, ainda, sem se encaixar no modelo de parceria e proteção.
Mas a maturidade ensina tanto pra gente.
Hoje, adulta, posso enxergar o quanto a vida também não foi fácil para ele. Como o desencaixe nos papéis esperados gerou sofrimento e solidão. E eu sinto muito.
Hoje, posso ler nas entrelinhas a grande herança que recebi: o gosto pelas boas coisas da vida, a música, o piano e o ballet. As asinhas nos pés e na imaginação. O prazer de ouvir e contar boas histórias, e de dar boas risadas. A curiosidade, o interesse em saber sempre mais, a riqueza das boas leituras e os ideais de justiça social.
Hoje, eu me orgulho tanto da herança que recebi de você, meu pai. Muitas das suas escolhas são as minhas escolhas.
Hoje, eu sei que tudo isso só existe em mim porque, um dia, você se recusou a se encaixar nos estereótipos que a vida quis impor a você. E eu serei eternamente grata por você ter sido exatamente assim.